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LANÇAMENTO ! LIVRO DE GERENCIAMENTO DE CRISES !

Se disserem que não existe crise, desconfie !  O que mais contribui para a sobrevivência em um cenário de crise é reconhecer a crise, entender o que está acontecendo e usar muito conhecimento para superá-la. Capacite-se e use a boa técnica através do livro ilustrado com a atitude de pilotos em mais de 20 casos reais de emergências aéreas.

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Ilustrado com a atitude de pilotos durante emergências em voos comerciais, o livro mostra como a mente humana bem treinada é uma verdadeira máquina de gerenciar e superar crises. Nós fazemos isso desde que nascemos e precisaremos continuar fazendo durante toda a vida. Crises econômicas, no mercado financeiro, crises políticas e sociais, crises empresariais, crises durante emergências em instalações industriais, ou no comando de grandes aeronaves de passageiros, emergências em plataformas de petróleo, em usinas nucleares, em grandes cidades e países, crises pessoais e familiares, crises morais, enfim todos os tipos de crise demandam dos seus gestores habilidades para conviver com as adversidades e superá-las. Gerardo Portela é doutor em Gerenciamento de Riscos e Segurança pelo Departamento de Engenharia Naval da COPPE – Universidade Federal do Rio de Janeiro, com especialização em FATORES HUMANOS pelo Charles W. Davidson College of Engineering "The California State University", em San Jose CA - USA. Portela também atuou como pesquisador na área de Segurança Marítima e Offshore no Kelvin Hydrodynamics Laboratory, na University of Strathclyde, Scotland UK. É Mestre em Gestão Tecnológica e Engenheiro Mecânico e Industrial pelo Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro, CEFET RJ. Tem mais de 30 anos de experiência profissional e é autor de mais dois livros ("Gerenciamento de Riscos Baseado em Fatores Humanos e Cultura de Segurança" e "Gerenciamento de Riscos na Indústria de Petróleo e Gás") além de vários outros trabalhos na área de Gerenciamento de Riscos e Segurança. Portela trabalhou em algumas das maiores empresas privadas e estatais do mercado de engenharia como Shell, Ishikawagima, Furnas, Eletronuclear, Infraero, Odebrecht e Petrobras onde atualmente ocupa a função de Consultor Técnico na área de Gerenciamento de Riscos e Segurança. Gerardo Portela é reconhecido como referência sobre o tema Gerenciamento de Riscos, atuando como comentarista convidado de diversos órgãos de imprensa do Brasil como Globo, Globo News, Record, SBT, Rede TV, Veja, Época, UOL, R7. Também é convidado e citado por órgãos de imprensa como LOS ANGELES TIMES e VOZ DA AMÉRICA nos USA, ABC Madrid na Europa, TV ASAHI JAPÃO, entre outros no Brasil e no exterior.

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O sucesso de um empreendimento tecnológico está associado ao respeito aos fatores humanos, ambientais, econômicos e sociais que estão sob sua influência. Bons valores estabelecem a boa Cultura de Segurança !

"SUICIDE CRASH" ! AVIÃO DA GERMANWINGS, SUICÍDIO ?


Acidente com Airbus A320 da Germanwings

Segurança Aérea e Fatores Humanos

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Gerardo Portela, autor do livro Gerenciamento de Riscos Baseado em Fatores Humanos e Cultura de Segurança, foi entrevistado pela Jornalista Mariana Guimarães da Agência Elsevier de Notícias.

Os dados preliminares da segunda caixa preta, recuperada entre os destroços do Airbus A320 da Germanwings, mostram que o piloto automático da aeronave foi aparentemente ajustado para uma descida anormal, abrupta.  Além disso o informe oficial da BEA, agência européia que participa da investigação, também revela que a velocidade da aeronave foi aumentada mais de uma vez durante esta descida.  Esses elementos fortalecem a hipótese de ação intencional, deliberada do co-piloto.  É preciso cautela porque há situações de emergências com perda de sustentação da aeronave onde os procedimentos recomendam o aumento de velocidade e um co-piloto inexperiente pode ter aplicado essa recomendação de forma indevida.  Além disso, uma falha técnica do avião ou uma falha de pilotagem pode levar um co-piloto inseguro a multiplas ações indevidas para solucionar a emergência, o que necessariamente não significa um suicídio. Pressionado pelas circunstâncias, um co-piloto inexperiente e despreparado pode se sentir obrigado a corrigir a situação de emergência sem a percepção do real limite de tempo disponível para estas correções.  É preciso considerar também o nível de cultura de segurança da empresa aérea, o clima e o ambiente de relacionamento na cabine.  Um co-piloto iniciante que perceba que cometeu um erro grave pode tentar, desesperadamente, esconder esse fato em meio a tentativas pessoais de restauração do controle do voo.  As investigações preliminares mostram a importância e o peso das ações humanas nos acidentes aéreos o que se aplica também a outros tipos de acidentes.

Alguns especialistas defendem a estratégia de elevação da automação para que os aviões passem a ser operados remotamente, sem tripulação.  Esta seria uma opção para reduzir a influência dos fatores humanos na ocorrência de acidentes.  Mas é evidente que uma aeronave não tripulada também estará sujeita às falhas de monitoração que podem ocorrer do trabalho de um controlador humano em terra. Isso significa que aviões não tripulados não estarão completamente isentos da influência de fatores humanos.  Esse conceito pode ser avaliado como ainda mais perigoso se considerarmos a questão do terrorismo, pois não seria necessário um terrorista suicida para promover a queda de um avião não tripulado, bastando uma ação contundente a partir do controle de terra ou ainda a interferência nos sinais de telemetria através da ação de hackers.  Na entrevista publicada pela Agência Elsevier e exibida a seguir, o especialista em gerenciamento de riscos conta como novas tragédias poderão ser evitadas na aviação em um futuro próximo. 


- O que poderia ter sido feito para evitar tal tragédia ?

Não é possível, ainda, saber o que exatamente aconteceu no Airbus A320 da Germanwings. Embora seja muito cedo para compor uma sequencia de fatos que explique por completo o acidente, algumas evidências objetivas já permitem a identificação de oportunidades de melhoria na segurança aérea de voos comerciais. Não somente este acidente, mas outros acidentes recentes como o do Airbus A360 da Air France (AF 447) e o do Boing 777-200-ER (MH 307 da Malaysian Air) mostram que a tripulação dos voos comerciais precisam ser mais atentamente observadas. A tripulação e, principalmente os pilotos, precisam ser avaliados não somente sob o ponto de vista técnico, mas também quanto a aspectos menos objetivos relacionados com a condição psicológica, comportamental e até cultural. Acidentes recentes mostram que os pilotos e os tripulantes podem ser tão mal intencionados quanto os passageiros. Se motivações terroristas podem gerar preocupações quanto aos passageiros, pilotos e tripulantes também não estão isentos destas e outras suspeitas. Agrega-se a isso o fato de pilotos e tripulantes possuírem privilégios muito superiores aos dos passageiros comuns para intervir e provocar um acidente. Até mesmo a revista de acesso às aeronaves tende a ser menos rigorosa para os pilotos e comissários e isso pode ser observado pelos registros das câmeras de segurança dos aeroportos.

Um outro aspecto importante é o cada vez mais elevado grau de automação das aeronaves comerciais. Não que isto seja um ponto negativo, pelo contrário, a automação tem facilitado o trabalho dos pilotos e ajuda a corrigir falhas que podem levar a uma catástrofe. Porém há uma polêmica relacionada ao distanciamento da consciência situacional dos pilotos quanto ao voo, já que os parâmetros físicos, em sistemas de elevada automação, são controlados diretamente pelos intertravamentos lógicos do sistema de automação (mais pela máquina e menos pelo piloto). Embora no treinamento e na formação de pilotos os princípios de voo sejam valorizados, na prática os pilotos cada vez mais tornam-se supervisores de um computador. Principalmente quando há uma emergência ou uma discrepância de dados na qual a lógica de automação decida por transferir o controle ao piloto, este tem que estar preparado para mudar sua condição de controlador e observador. Justamente na condição de crise é que o piloto é chamado a agir fisicamente e fazer a aeronave voar da forma tradicional: operando diretamente a aeronave com base nos princípios físicos de voo. Por isso podemos dizer que talvez seja necessário limitar esse afastamento do piloto da prática de voo, facilitado pelo elevado grau de automação. Este problema não é restrito apenas à segurança aérea, mas também está presente em plantas de processo petroquímico, geração elétrica, entre outros empreendimentos tecnológicos que envolvem riscos consideráveis. Até mesmo no dia a dia das pessoas esse conflito pode ser percebido. Os automóveis a cada dia tornam-se cada vez mais automatizados. A tecnologia fly-by-wire, muito mencionada como característica do Airbus A320, também está presente em alguns automóveis de última geração. A diferença é que no caso dos veículos, a maior parte dos problemas podem ser resolvidos parando o carro no acostamento e chamando o reboque. No caso de uma aeronave, comparando o piloto com o motorista, perder a automação em uma emergência seria como perder a direção hidráulica, o câmbio automático, os freios abs, os controles de estabilidade e tração exatamente na hora do acidente, tendo que passar a dirigir o carro manualmente porém sem direito a acostamento. Não haveria problema algum, se o motorista fosse tão bom motorista de carros automáticos quanto de carros manuais e mecânicos. Mas o paradoxo está no fato de que quanto mais se dirige carros automáticos, ou pilota-se aviões em automático, menos prática se acumula na operação manual / eletromecânica desses equipamentos.

- Como prevenir acidentes desse porte?

Os acidentes recentes têm mostrado que os pilotos e tripulantes precisam ser cuidadosamente avaliados e observados porque podem ser tão suspeitos quanto os passageiros, porém com um potencial destrutivo muito superior por terem acesso irrestrito aos itens mais importantes para o controle da aeronave. As companhias aéreas precisam rever o perfil de requisitos dos pilotos, ampliando-o para contemplar aspectos que alcancem até mesmo a vida pessoal destes profissionais. Talvez um exemplo a ser seguido seja o da indústria nuclear. Para chegar a se tornar um operador de reator nuclear um operador precisa ser aprovado psicologicamente através de avaliações frequentes, ao longo de anos de treinamento além, é claro, de toda a formação técnica tradicional e específica para a engenharia nuclear. A IAEA – International Atomic Energy Agency, bem como a WANO – World Association of Nuclear Operators fiscalizam e exigem das autoridades de cada país que opera reatores nucleares que o perfil dos operadores nucleares seja analisado e avaliado frequentemente. Isso significa, por exemplo no Brasil, que todos os operadores nucleares precisam se submeter a uma avaliação psicológica no mínimo anual por parte da empresa que opera o reator nuclear além de se submeter também a uma avaliação psicológica da CNEN – Comissão Nacional de Energia Nuclear. Além disso, o operador tem direito a ter um suporte psicológico independente, a sua escolha, para si e demais membros de sua família. A empresa operadora oferece incentivos para que o operador e sua família sempre possa ter acesso facilitado ao acompanhamento psicológico independente, quando assim deseje. Não raramente, operadores são afastados da operação direta da sala de controle principal de usinas nucleares, devido a problemas momentâneos como doenças de familiares ou conflitos em relacionamentos pessoais. Nestes casos o operador nuclear pode ficar até 3 meses distante da sala de controle principal sem a perda de sua licença de operador nuclear, para então ser reavaliado e reintegrado em suas funções originais. Durante esse afastamento o operador nuclear continua trabalhando como qualquer outro trabalhador sem licença médica, porém não exerce as atividades de alta responsabilidade relacionadas com a operação da sala de controle principal de usinas nucleares.

Um outro aspecto importante na prevenção de grandes catástrofes aéreas é o projeto conceitual da automação de aeronaves. Com o desenvolvimento tecnológico os avanços na automação tem gerado alguma polêmica e existem investigações recentes que indicam que a automação excessiva pode, em alguns tipos de crise durante os voos, se tornar um problema. Os engenheiros ao projetarem sofisticados sistemas de automação para as aeronaves de última geração, precisam revisitar a questão da necessidade dos pilotos efetivamente exercerem a atividade de pilotagem em sua rotina de trabalho. Somente assim, pilotando de forma efetiva os aviões na sua rotina de trabalho, os pilotos poderão manter suas habilidades de voo e não somente com seções de simuladores que ocorrem apenas algumas vezes por ano. 

- Que tipos de equipamentos devem ser desenvolvidos para minimizar os acidentes aéreos? 

Duas grandes mudanças deverão revolucionar a segurança aérea nos próximos anos: primeiro o “NEXTGEN”(Next Generation Air Transportation System), já em implantação nos USA, que trata-se de um novo sistema de rastreamento por satélite e GPS (Global Positioning System) o qual substitui o rastreamento por radares – tecnologia de mais de 60 anos de uso; e segundo a minimização da comunicação via rádio entre pilotos e controle aéreo através da comunicação por telemetria entre aeronave e controle de voo.
Com o NEXTGEN as aeronaves irão ser monitoradas e orientadas de forma dependente uma das outras. Não dependerão de seguir aerovias (estradas virtuais no ar) onde os radares possam acompanhar o voo, pois o rastreamento passa a ocorrer via satélite. Dessa forma, as aeronaves podem ter muitas mais opções de rotas porque não dependerão do alcance dos radares. Isso irá reduzir trajetos, reduzir consumo de combustível, reduzir o distanciamento entre aeronaves, reduzir o tempo em terra entre outras vantagens que ampliam a segurança e a eficiência. Atualmente as informações sobre as condições meteorológicas são dependentes da análise de dados provenientes de observatórios espalhados em todo o planeta. A coleta e a avaliação de tantos dados provoca atrasos fazendo com que a informação chegue ao piloto em voo muito próximo da aeronave enfrentar a condição climática adversa. Com o NEXTGEN uma plataforma comum de dados irá prover mapas metereológicos únicos, com o mínimo de atrasos, acessíveis a todos os pilotos e controladores simultaneamente. 

Também associada ao NEXTGEN, a comunicação de rádio entre pilotos e controladores deverá ser reduzida e simplificada. Atualmente nos EUA são empregadoscerca de 17 canais de comunicação de voz por rádio para comunicação do piloto com os controladores e entre estações terrestres. Com o novo sistema os canais serão reduzidos a um único canal de alta confiabilidade. Uma outra mudança fundamental é a redução drástica da comunicação por voz. A língua internacionalmente usada no controle aéreo é o inglês, mas muitos pilotos e controladores não entendem as mensagens devido aos diferentes sotaques, deficiências no idioma, nervosismo durante emergências e qualidade da transmissão. Talvez, a frase mais repetida na comunicação de voz entre pilotos e controladores seja “repita, por favor”. Com o NEXTGEN a transmissão de dados de voo entre aeronave e controladores será preferencialmente por telemetria e os pilotos irão utilizar a comunicação por voz muito raramente, ou mesmo nem precisarão utilizá-la (os aviões enviarão mensagens com os dados necessários para o controle em terra). Muitas investigações de acidentes concluem que informações cruciais para evitar alguns acidentes não foram devidamente comunicadas por falha de entendimento entre pilotos e controladores. 

- Qual é o cenário da aviação brasileira atualmente no que diz respeito à segurança?

Alguns aeroportos brasileiros ainda carecem de equipamentos de última geração para aproximação de aeronaves por instrumentos, como os ILS (Instrument Landing System). Embora esteja em curso a modernização dos sistemas, esse processo é lento e limitado a alguns aeroportos. O Brasil está atrás apenas dos EUA na movimentação de aeronaves em seu espaço aéreo, isso mostra a relevância da aviação civil brasileira. Mesmo com um gigantesco espaço aéreo e um dos maiores tráfegos aéreos do mundo, o Brasil ainda está muito distante de sistemas como o NEXTGEN. Muito provavelmente as autoridades brasileiras irão responder reativamente ao NEXTGEN, atualizando o sistema brasileiro na medida em que esse revolucionário sistema se estabeleça nos EUA. O tráfego aéreo brasileiro está em crescimento, influenciado pela ascensão de camadas da população a este modal de transporte. O controle do espaço aéreo brasileiro pode ser considerado seguro, mas tem vulnerabilidades que justificam estudos de implantação de sistemas do nível do NEXTGEN. O grande problema é a cultura de segurança brasileira. Para questões de segurança relacionadas com a infraestrutura, os esforços para a solução de problemas futuros óbvios, em geral, é adiada até o último momento quando as consequências do problema já começam a serem percebidas. Isso tumultua todos os processos de mudança, dificultando-os e elevando os custos.
 

O sucesso de um empreendimento tecnológico está associado ao respeito aos fatores humanos, ambientais, econômicos e sociais que estão sob sua influência. Bons valores estabelecem a boa Cultura de Segurança !

COMO SOBREVIVER A UM ACIDENTE AÉREO ?


É POSSÍVEL SOBREVIVER A UMA QUEDA DE AVIÃO ?

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Quando ocorre uma emergência ou um acidente grave, as boas práticas de gerenciamento de riscos estabelecem algumas estratégias básicas para se tentar reduzir as consequências catastróficas destes eventos e assim reduzir também o número de vítimas.  Uma das estratégias mais eficazes é primeiramente remover o maior número de pessoas da área de exposição ao perigo e em seguida prover meios de abandono definitivo deste cenário onde o acidente está acontecendo.  Isto é feito através do encaminhando das pessoas para outro cenário, de menor risco.  É o que acontece por exemplo quando um navio começa a naufragar e as pessoas são encaminhadas para embarcações de pequeno porte para efetuar o abandono do cenário de naufrágio para um segundo cenário, também perigoso porém de menor risco, que é a sobrevivência no mar.

Em uma queda de avião e em outros acidentes aéreos, essa estratégia torna-se um desafio ainda maior para os especialistas já que nem sempre há um segundo cenário disponível. Quando os sistemas críticos de uma aeronave sofrem uma pane definitiva que impossibilite as condições mínimas de funcionamento em pleno vôo, não haverá um segundo cenário disponível.  Por outro lado, existem muitos casos em que um pouso de emergência é possível.  Também é surpreendente a quantidade de acidentes envolvendo aeronaves que ocorrem em terra.  Aliás, o maior acidente aéreo de todos os tempos em número de vítimas aconteceu em 1977 em Tenerife, ilha do Arquipélago das Ilhas Canárias na Espanha.  Enquanto uma aeronave se preparava para decolar, a outra taxiava cruzando a pista sob neblina e assim ambas se chocaram em terra gerando um grande incêndio.  Foram 583 mortos e dezenas de feridos.

Sempre que há um pouso de emergência, ou forçado por uma situação de queda, há também chances de sobrevivência.  Algumas informações, um bom treinamento, a preparação técnica adequada da aeronave e o suporte por meios de resgate podem fazer diferença entre viver e morrer.  A seguir, listamos algumas questões básicas relacionadas com as chances de sobrevivência a um acidente aéreo. 




QUAL O PROCEDIMENTO BÁSICO DE ESCAPE E ABANDONO DE AERONAVE COMERCIAL ?


Há dois tipos de emergências que podem gerar operação de escape e abandono de aeronave comercial:  emergência preparada;  emergência não evidente.  No primeiro caso o comandante determina a necessidade de realização de um pouso de emergência e solicita aos comissários que preparem os passageiros e a cabine para o pouso.  Essa preparação pode incluir a retirada de relógios, anéis, brincos para evitar possíveis ferimentos.  São distribuídos cobertores e travesseiros para ajudar a reduzir um as escoriações e choques.  Todos os objetos soltos na cabine deverão ser recolhidos para os gavetões ou reunidos num único banheiro que deverá ser trancado.  Cada porta da aeronave deve ter um comissário como responsável o qual, após o pouso de emergência, se posicionará para avaliar se há fumaça, fogo ou algum fator proibitivo que inviabilize a utilização da porta para a operação de escape e abandono.  Verificada a disponibilidade da porta e caso não seja possível utilizá-la, o comissário deverá permanecer junto à mesma encaminhando os passageiros para as outras portas.  Se a porta estiver operacional, o comissário irá abri-la, acionar o escorregador se disponível, e, liberar os cabos de auxílio que os passageiros poderão utilizar para segurar e acessar o escorregador.  Sapatos e objetos perfurantes devem ser descartados para evitar danos às partes infláveis.  Ao sair, as pessoas devem se afastar ao máximo da aeronave nos primeiros momentos.

No caso de emergência não evidente, não existe preparação prévia para o pouso mas os comissários deverão tentar cumprir os mesmos procedimentos descritos para o controle das portas.


PROCEDIMENTOS DE ABANDONO REALMENTE SALVAM VIDAS OU SÃO APENAS FORMALIDADES EXIGIDAS PELA LEGISLAÇÃO ?


Os procedimentos realmente salvaram muitas vidas em diversos acidentes.  Dois dos mais recentes casos foram o pouso de emergência do voo 1549 da U S Airways em 2009, quando todos os 155 ocupantes foram salvos após um o contato da aeronave com as águas geladas do Rio Hudson;  e outro caso bem sucedido foi o pouso forçado do Boing 777 da Asiana Airlines no Aeroporto de San Francisco, USA no qual a quase totalidade dos 307 ocupantes conseguiu abandonar a aeronave antes que um incêndio de grandes proporções a destruísse completamente (2013). 



QUAL O PAPEL DOS COMISSÁRIOS NUMA OPERAÇÃO DE ESCAPE E ABANDONO ?


Os comissários tem um papel vital para o sucesso das operações de escape e abandono e também no período pós abandono, o qual pode requerer a sobrevivência no mar, na selva ou mesmo em outras áreas de difícil acesso.  Se alguém pensa que a presença de comissários nos vôos é apenas um desfile de cortesia e distribuição de itens de conforto e alimentação está muito engado.  Basta notar que alguns voos nem sequer oferecem alimentos por estratégia de redução de preços, mas mantém os comissários que são indispensáveis por questões de segurança.  Eles são treinados para só abrir as portas que poderão realmente salvar vidas, conhecem os equipamentos, sabem onde os recursos de sobrevivência estão localizados e principalmente sabem como utilizá-los otimizando o seu consumo.  

EXISTE UM LUGAR MAIS SEGURO PARA SE VIAJAR NUM AVIÃO ?


Poderia existir se o passageiro tivesse certeza antecipada sobre todos os detalhes do acidente que iria acontecer no voo.  Mas se fosse possível adivinhar isso, obviamente a decisão inteligente seria não voar.  Se houver uma operação de escape e abandono, estar mais próximo das portas de emergência agrega vantagem na luta pela sobrevivência porque cada segundo pode fazer diferença.  Uma recomendação adotada por alguns especialistas é estar até 7 fileiras de distância da porta de emergência.  Normalmente as aeronaves já são construídas de uma forma tal que, quando ficamos a mais de 7 fileiras de distância de uma porta de emergência, basta olhar para o outro lado e perceberemos outra porta com menos de 7 fileiras de distância.  Mas também é importante lembrar que nenhum acidente é igual a outro e até as portas de emergência podem se tornar a causa de acidentes em pleno voo.  Num cenário como esse a porta passa a ser o perigo, podendo causar a despressurização súbita da cabine e em casos extremos passageiros sem cinto podem até serem expelidos da aeronave.  Pior ainda, as poltronas mais próximas da porta acidentada podem até ser arrancadas e sugadas para fora do avião, inclusive com o passageiro e acidentes como estes já foram registrados no Brasil.  Mais importante do que a posição da poltrona, a segurança maior está em entender o plano prévio de escape e abandono, observar a evolução dos acontecimentos anormais e reagir com presteza aproveitando as orientações da tripulação.  

QUE PORTAS DE EMERGÊNCIA FUNCIONAM MELHOR ? 


Em caso de pouso na água há maior probabilidade da parte central junto às asas ficar mais adequada para o abandono.  A princípio as pessoas poderão sair pela porta de emergência sobre as asas e ainda terão as próprias asas para se preparar antes de pular para a água.  Geralmente a aeronave que pousa na água começa a ser inundada pela parte da frente ou pela parte de trás, por isso, teoricamente a inundação demoraria mais a atingir a parte central junto às asas.  Por outro lado se o pouso for em terra ou em copa de árvores a região junto às asas é justamente a que contém a maior quantidade de combustível e tem maior chance de incendiar.  Portanto não há uma regra definitiva.  O mais importante é entender bem o plano de abandono e observar a evolução da emergência para agir corretamente, independentemente de qual seja a posição do passageiro na aeronave.

A INFRAESTRUTURA DOS AEROPORTOS PODE AJUDAR ?


Quando a emergência é preparada, ou seja, quando o comandante reconhece a necessidade de um pouso de emergência e isso pode ser feito numa pista de aeroporto, além da preparação dos passageiros, da cabine e da aeronave, as equipes de terra como bombeiros, lanchas de apoio, ambulâncias entre outros, se posicionam estrategicamente na pista.  Eles são exaustivamente treinados para esse tipo de operação.  O comandante ao declarar a emergência inicia também os preparativos das equipes na pista, onde os caminhões dos bombeiros especializados irão estar prontos para acompanhar a aeronave desde o primeiro ponto em que tocar a pista, em alta velocidade.  Caso haja necessidade, uma camada de espuma especial também é lançada para evitar um incêndio caso a aeronave precise pousar “de barriga”.  Quando há rios, mares nas proximidades, lanchas são acionadas preventivamente para um eventual resgate. 

QUAL A MELHOR ESTRATÉGIA PARA SOBREVIVER A UM ACIDENTE AÉREO ?


Não apenas no caso de acidente aéreo, mas para qualquer caso de acidente, o que mais amplia as chances de sobrevivência é o grau de consciência e conhecimento sobre os fatos que estão ocorrendo durante a emergência.  Como nos eventos acidentais os acontecimentos são surpreendentes e rápidos, não é possível se preparar devidamente durante a própria emergência e nesta hora, quanto mais informação anterior a pessoa tiver, mais chance de sobrevivência ela terá.  Então, observar as instruções no início dos voos, as cartelas de orientação sobre as saídas, observar sinais de fumaça, fogo, observar ruídos e comunicar quaisquer anormalidades à tripulação, tudo isso ajudará a ter uma melhor atitude na hora da emergência.

Instruções sobre como usar as máscaras no caso de descompressão, como usar os flutuadores e coletes, lembrar que a temperatura e a fumaça são piores nas partes mais altas, priorizar a vida ao invés de insistir em carregar objetos e bolsas, podem ser informações e atitudes salvadoras.  Também é fundamental um comportamento colaborativo, porque se cada passageiro pensar somente em si, provavelmente o número de vítimas será maior. 

Em alguns tipos de acidente a margem de ação de cada pessoa é muito pequena.  Mas em muitos outros tipos de emergência, o conhecimento prévio, um plano básico anteriormente definido, bastante atenção e vontade de viver podem sim ajudar a aumentar as chances de sobrevivência.

O sucesso de um empreendimento tecnológico está associado ao respeito aos fatores humanos, ambientais, econômicos e sociais que estão sob sua influência. Bons valores estabelecem a boa Cultura de Segurança !